José Gilvan
Momento sonolento de prazer,
pele de pêssego morna,
respiração leve de folha verde,
boca entreaberta e úmida,
perfume nos ossos da clavícula,
cordão de ouro que desliza
entre os seios ocultos
um pingente de menino,
bela mulher que não cabe inteira na foto,
excita homens e poetas,
revela a beleza que cessa na mulher,
mas eu procuro no retrato
a beleza irrevelada que não morre
e encontro nudez e nada mais.
Amanhã, quem amará essa mulher
Que se consome seduzindo o mundo?
A beleza sem amor perece
Ainda que revelada pela arte.
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